quinta-feira, agosto 03, 2006

Desejo Prosseguir



Desejo prosseguir...
Se à minha frente o Mar não abrir
Me fará Deus caminhar sobre as águas
Se no deserto não chover
Me fará Deus um poço jorrar
Se as pedras não se transformarem em pão
Me fará Deus que ele caia dos céus
Se as muralhas não ruírem
Me fará Deus que eu as salte
Se meus inimigos não caírem
Me fará Deus que com eles haja paz
Se a Satã eu não puder derrotar
Me fará Deus que um arcanjo o vença
Onde lutar vencerei
E onde plantar colherei

terça-feira, julho 04, 2006

Um Dia Inteiro



A noite é sólida
Me mete em dura escuridão
É insólita, é solidão
É dupla via mão

Quando o olhar toca
Aquela infinita estrela
E uma lágrima a ferver
Alcança o gélido chão

E no contrair-se a menina
Dessa chorante janela
Em meus devaneios
Eu vi a Deus

Vi-O pela razão
Era tão pequeno
Não passava de um alvo
De distante alcance

Vi-O pela emoção
E tornou-se inatingível
E eu... e eu,
Extremamente louco

Vi-O pela Fé
E Ele...
Ele se fez completo
Transcedente, Imanente.

Então, raiou o dia
E a pequena estrela
Tornou-se um dia inteiro
Um dia inteiro.

Lágrima Amiga



A lágrima é uma amiga
Desce tão meiga e carinhosamente
Com seu calor, tentando aquecer o frio da tristeza

A lágrima é uma companheira
Sempre ao nosso lado
Soturna em ajudar

Por vezes ela também chora e
Respinga no chão...
Nesse suicídio de caridade

Percebi que fora amiga
Porque mais que meu choro
Chora minha lágrima

sábado, julho 01, 2006

A Deus



Árvores batem palmas
Cantam os penedos
Sorriem os lajedos
A terra se enconfeiteia
Eis Deus no seu trono
Jesus alegria dos homens

Nesse céu que relampeia
De nuvens que negam o pão
Sob o Sol cálido do pícaro
Pai nosso que estás nos céus
Santificado seja o teu nome...

O mormaço dentro esfomeia-se
Venha o teu reino
Seja feita a tua vontade
Assim na terra como no céu
O pão nosso de cada dia... dá-nos hoje

Eis o viajante,
Perdoa as nossas dívidas

Eis o peregrino,
Assim como nós perdoamos

Eis o forasteiro,
Os nossos devedores...

Armas da Luz



Aguarda o guerreiro a antemanhã
E a borda da aurora demora contígua
Não luta com os homens
Não luta com os anjos
Não luta com Deus
Luta em si, por si, consigo
Deixa guerreiro as obras das trevas
Já vai alta noite
Que trevas espessas...
Já vai alta noite
E vem chegando o dia
Vista-se pois, das Armas da Luz

sexta-feira, junho 30, 2006

Sol Sobranceiro




Estoura o brilho na minha fronte
Do raiar do Sol junto a aurora
Evoca arrepios no meu agora
E o meu peito se abre estonteante

Vem belo Sol! A mudar o dia,
Quero vivê-lo intensamente,
A noite é trevas e já não mente,
Antes que esvaia a breve alegria.

Não vá embora Sol, não vá embora
Por favor, fica aqui imponente
Detenha-te pois no horizonte
Senão vai a alegria numa hora

São as trevas, ó desespero
Desce logo, ó lágrima amiga
Entretanto, com essa fadiga
Aguardarei o Sol sobranceiro.

Criação




Eis Deus
Eis o Mundo

sábado, junho 17, 2006

Recortes



Ecoa o verme
Morre a flor
Vai a cor
Dor infame

Esvai a vida
Finda a lida
Ó, tudo cai
Tudo se vai

Pisa a rosa
Pára a vida
Incauta luz
Homem atroz

Ó, quem dera
Ser, alguém ser
Algo fazer
Já fim da era

Ser o tudo
Na calada
Tudo muda
Tudo mudo

Todo Mundo
Qual o valor
E o amor
Vagabundo

O humano
Sonso môco
Tato louco
Um insano

Nas alturas
Belas vidas
Aves liras
Tão queridas

A Feira




Olha. E quantas casinhas!
Montadas qual um mosaico
Gráfico desde as esquinas
Barracas cobertas ao plástico

Ó quantas cores revela
Enleva a beleza que tem
Tão bem o cheiro atrela
Anula a tristeza meu bem

Surgem as formas variadas
Graúdas, dão gosto de ver
Comer as arredondadas
Que benditas de água reter

Olha! as frutas estão belas
Vermelhas e verdes são
Estão também amarelas
São tantas não lembro não

Olho o chão e vejo tristeza
Rudeza, um mendigo no chão
Com a mão me pede em reza
Vileza, não dou um tostão

Caem restos abaixo das mesas
Crianças correm a pegar
Que lar tão sem regalias
São filhas do “não posso dar”

Ó quantas vacas mortas
Expostas ás mesas. Vêem?
Desdém, se compram com notas
Partidas... que mau cheiro além

Olha, a feira é um mundo
Imundo e belo também
Paradoxo bem mais profundo
Encanta a vista de alguém.

segunda-feira, maio 01, 2006

Loucos ou Normais



A diferença entre o louco e o "normal" é que aquele exterioriza com sinceridade a dor que sente, enquanto o "normal" sempre cai na hipocrisia de ocultar o seu despero, para ser assim considerado normal. Somos todos loucos e fingimos ser "normais", e assim fingimos por querermos constantemente suprir o vício de viver em sociedade, numa sociedade. Desde então, nessa guerra de falsidade contra nós mesmos, criamos internamente nossos próprios hospícios e elegemos nosso psicólogos e psiquiatras. O louco termina por admitir que entre os ceús e a terra há mais filosofia vã do que coisas, e só ele realmente termina por se encontrar com Deus, por ser o louco, o pecador, na sua manifestação em essência, se acolhe em Deus. Enquanto, os normais, sempre, sempre, persistirão em administrar seus manicômios internos e convocar os seus médicos. Finalmente, os loucos, são aqueles que jamais erram o caminho dos céus.